Abro o jornal hoje de manhã e qual não é minha surpresa ao ver uma reportagem no Los Angeles Times em que o Hélio Castroneves diz que “não nega estar pensando em ir para a NASCAR”. Digo surpresa, não necessariamente pelo que disse o brasileiro, o que a gente já desconfiava ou já sabia, mas porque o LA Times não é de falar muito da NASCAR, ainda mais que já estamos na temporada do beisebol e na fase final do basquete.
Mas à medida em que fui lendo, ficou mais fácil entender. O brasileiro esteve ontem em Los Angeles para entregar a cetro de campeão do programa “Dança com as Estrelas” para os novos vencedores. Por causa desse programa, Castroneves é hoje uma celebridadade norte-americana e não há uma mulher não brasileira que eu conheça que não tenha me perguntado sobre o Híliu. Nas primeiras vezes, demorou para eu entender que esse é o jeito deles falarem o nome dele aqui.
Voltando à reportagem, o interessante é como o jornal aborda a questão da importância das categorias, IndyCar e NASCAR no caso, terem hoje pilotos cuja fama vá além do que fazem nas pistas. Segundo o jornal, seria um duro golpe para a IndyCar perder um dos seus pilotos mais populares justamente no momento em que a série começa a recuperar a fé do público americano. De cara, achei que fosse um exagero, mas depois pensando bem...
O Castroneves é sem dúvida, entre os os pilotos que correm hoje nos Estados Unidos, o que tem maior status hollywoodiano. Disparado! A Danica Patrick é um fenômeno de marketing (sem entrar na questão do talento) e o Dale Earnhardt Jr. é o o xodó da Nação NASCAR. Mas nenhum dos dois conquistou como Helinho o coração do público prime-time com seu sorriso, seu charme e seu talento para o bailado.
A observação do jornal é válida, e sob esse ângulo pode ser motivo para o Tony George perder algumas noites de sono. Mesmo assim, acho que serão necessárias algumas condições para que isso aconteça. Eu já disse uma vez no ar que não acredito que o brasileiro vá para a NASCAR antes de ter nas mãos um título da IndyCar. Pelo menos não agora, pelo menos enquanto ele tiver uma chance real disso acontecer. Claro que isso é palpite, coisa de botequim, e com certeza existem mil opiniões sobre isso. Mas...
De concreto, Castroneves disse que iria conversar sobre o assunto com Roger Penske depois das 500 Milhas. Ele deixou claro que a mudança recente de vários pilotos de monopostos para os stock cars o intriga, mas tudo “depende da oportunidade. Tem a ver com o momento certo e não tenho certeza se o momento é certo”. E finalmente, quando perguntado se acha que os fãs da NASCAR o receberão bem, ele disse: “Acho que vai ser uma boa recepção.”