Thursday, May 15, 2008 9:31 AM speednoticias

Gil de Ferran de volta às pistas

Segue entrevista dada por Gil antes da sua estréia da American Le Mans Series em Utah, neste domingo dia 18 de maio, com transmissão AO VIVO do SPEED, começando às 16 horas.  O piloto brasileiro está de volta não só no volante, mas também como dono da Ferran Motorsports Acura ARX-01b, a quarto equipe com motor Acura a competir na categoria.

Sobre a formação da Ferran  Motorsports

De certa maneira, é uma história meio longa.  Tenho trabalhado com o programa de competição da Honda por mais de uma década.  Esta associação teve várias formas durante os anos.  Trabalhei junto com os engenheiros do HPD (Honda Performance Development - Centro de Desenvolvimento de Performance da Honda), que agora estão chefiando o programa da Acura, como piloto de desenvolvimento dos carros. Tive esta função até parar de competir na CART.  Mais recentemente fui durante dois anos o diretor esportivo da equipe de Fórmula 1 da Honda.
"Over that time, I managed to cement a lot of relationships with Honda and Acura, which made me aware of their plans for this program. It was one of those things where opportunity meets desire. There always been a desire on my part to expand my involvement in motorsports into team ownership. This seemed like a perfect opportunity to join a group that I know very well."
Durante esse tempo, solidifiquei vários relacionamentos dentro da Honda e da Acura, que me avisaram dos planos deles para este projeto. Foi um desses casos em que a oportunidade se encontrou com o desejo.  Sempre tive vontade de aumentar meu envolvimento no esporte como dono de equipe.  Esta pareceu ser uma excelente oportunidade de me juntar a um grupo que conheço tão bem.

Sobre a estréia no meio da temporada

Nós realmente começamos a conversar sobre isso no final do ano passado.  Do momento em que decidimos seguir adiante, não houve mais tempo de estarmos prontos para as 12 Horas de Sebring.  Francamente, nós fizemos um grande esforço para estrear em Utah.  A equipe trabalhou várias horas extras.  Nós pressionamos muito os formecedores para termos tudo pronto.
Sob o meu ponto de vista, o projeto tem uma visão a longo prazo. Às vezes é o jeito com que as idéias surgem e o negócio acontece. Por outro lado, estou feliz por estar estreando em Utah. Creio que estou apenas vendo o lado positivo.

Sobre o Miller Motorsports Park

Este é um dos melhores circuitos em que já estive.  Tem instalações de primeiro nível. No meu papel anterior como piloto batalhando por reconhecimento, depois como piloto da CART e finalmente como diretor de uma equipe da Fórmula 1, adquiri uma grande experiência em pistas de todo o mundo.  O Miller Motorsports Park é um dos melhores circuitos em que já estive.  As instalações são ótimas e o traçado traz bom desafios misturando curvas de alta e baixa velocidade. Tudo é muito bem feito aqui. Esta é uma boa oportunidade para parabenizar a equipe que fez este autódromo.

A pista tem um sabor bem europeu.  A sequência das curva 1, curva 2 e curva 3 exige do piloto e me lembra Silverstone.  Há uma seção de subida e descida no final, nas curvas 8 e 9.  É uma chicane em subida que me lembra muito a de Mid-Ohio, onde há muitas variações de elevação.


Sobre a volta às pistas

Eu certamente não estava procurando um trabalho apenas como piloto.  Não estava batendo na porta do Roger Penske ou na porta de qualquer outro dono de equipe.  Certamente sentia saudades de pilotar.  É muito difícil encontrar algo que substitua a sensação e as emoções que você tem pilotando um carro no limite. Não há realmente nada na vida que seja equivalente. Eu sempre gostei particularmente da tomada de tempos, quando você coloca um novo jogo de pneus e busca novos limites. A classificação é uma parte bem pura do que fazemos, onde o que importa é a velocidade.  Tendo dito isso, acho que estava tão concentrado nos meus diferentes papéis desde que deixei os carros, que estava lidando bastante bem com meus sintomas de abstinência.  Mas quando esta oportunidade surgiu, ela preencheu minhas ambições de ser dono de equipe.  Este é um papel no qual posso adicionar algum valor. Acredito que seja um papel que vou gostar.  Os engenheiros da HPD são pessoas com quem trabalhei muito no passado. Outro aspecto que descobri recentemente  é que certamente estou gostando de um novo aspecto, que é ser o mentor do meu companheiro de equipe, Simon Pagenaud.

Sob o ponto de vista de pilotagem, é um grande desafio.  Em termos do tempo das voltas, não é diferente dos carros da Indy. Estamos sujeitos a incríveis forças G todo o tempo. O Miller Motorsport Park é um circuito muito físico e somos submetidos a forças de 3G a 4G nas freiadas e nas curvas. Mas o que me chamou a atenção nesta categoria é a atração que tenho com máquinas.  Se você olhar para os carros, não pode deixar de achá-los super legais.  A tecnologia deles é de última geração.  As equipes são de classe internacional e certamente há grandes fabricantes envolvidos.  E se você conhece um pouco sobre mim, tenho um ponto fraco por carros e máquinas sofisticados. Isto foi o que me atraiu no esporte quando eu era criança.

Sobre a saída das pisas em 2003

Eu estava procurando novos desafios. Percebi que tinha sido um piloto profissional por mais 20 anos. Eu estava pilotando para uma das melhores equipes do mundo e tendo um sucesso razoável.  Mas no final do dia estava procurando outra montanha para escalar. O jeito com que vivo é indo para o fundo da piscina porque gosto do processo de voltar à superfície. Através dessas dificuldades você sempre aprende e você sempre cresce.

Certamente me sinto como um novato de novo. Há vários aspectos deste carro os quais estamos tentando conhecer melhor.  Ser dono de equipe e todo o resto que vem junto com este projeto têm sido um grande desafio e algo que estou gostando muito.

Sobre a escolha do Simon Pagenaud

Antes de me tornar um piloto e de certamente agora ser dono de equipe, sempre fui um fã do automobilismo. Como fã, acompanhei a maior parte das categorias do automobilismo em todo o mundo. O Simon me chamou a atenção porque ele se tornou o campeão da Champ Car Atlantic no seu primeiro ano competindo nos Estados Unidos. É um feito impressionante. Você chega aqui e não conhece a categoria, não conhece as equipes, não conhece as pistas, não conhece nada. É algo bem difícil de conseguir no primeiro ano, particularmente numa destas categorias em que você não tem muitos testes. Isto colocou o nome dele na lista. Certamente eu soube dos seus feitos na Champ Car.  Meus velhos amigos da Walker Racing tinham uma ótima opinião dele tanto como pessoa como piloto.  Quando o conheci, realmente gostei dele. Ele é muito profissional e bastante sério sobre o que faz.  Ele tem um alto grau de maturidade para um jovem. Para uma equipe como a nossa, que é jovem e está crescendo com muito para aprender, o Simon é a escolha perfeita.

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