Thursday, August 07, 2008 2:10 PM slagospeed

Entrevista com Felipe Maluhy – Stock Car V8

Foto: Cleocinei Zonta
 Aos 31 anos de idade, o paulista Felipe Maluhy é um dos pilotos que disputam a maior categoria do automobilismo brasileiro, a Stock Car V8 ou Copa Nextel. A bordo de seu Mitsubishi Lancer de número 33, Maluhy ocupa a 20ª. Posição na Temporada de 2008, com um total de 15 pontos. Ele integra ao lado de Rodrigo Sperafico a equipe Terra Racing. No intervalo que antecede a esperada corrida do Milhão, que será disputada no Autódromo de Jacarepaguá, no Rio de Janeiro, dia 31 de agosto, Felipe Maluhy concedeu esta entrevista para a Motor Marketing Brasil contando um pouco de sua carreira e seus planos para o futuro. - Inês De Divitiis~

 

1) Como e quando começou a se interessar pelo automobilismo ? Conte como tudo começou

 

[Felipe Maluhy] Sempre gostei, pois meu pai corria por hobby, mas comecei mesmo em 1995.Eu sempre me identifiquei com motor, carros, motos... Desde muito pequeno eu ficava olhando as fotos, os troféus do meu pai, e sonhava em um dia ser piloto. Apesar do meu pai também gostar de corridas, ele sempre foi contra, e fez de tudo para que eu me interessasse por outra coisa. Mas realmente era uma coisa que estava dentro de mim.

 

Na minha adolescência, eu ia muito para Barra Bonita, e lá tinha um kartódromo construído pelo tio das minhas irmãs por parte de mãe, e foi lá que eu andei pela primeira vez. Depois de várias vezes andando num kart velho, eu consegui que meu tio me ajudasse a começar a correr em competições. Foi aí que tudo começou. A partir da primeira corrida, eu vi que eu tinha que fazer de tudo para ser um piloto profissional, pois eu sabia que esta era a minha paixão.

 

2) Comente sobre sua trajetória profissional, destacando títulos e vitória.

 

[Felipe Maluhy]  Quando comecei a correr de kart tudo era muito difícil, custava muito caro. E eu já estava acima da idade ideal para quem sonhava em ser piloto de F1. Mas isto não me assustava, eu queria mesmo era estar no meio de corridas e dar o meu máximo para aprender e desenvolver o meu potencial. Corri um ano e meio de kart, mas competindo em quatro campeonatos ao mesmo tempo. Fui Campeão Paulista, Vice-campeão Paulista, 3º colocado no campeonato Brasileiro e venci várias provas durante esta temporada.

 

Em 1997, o custo para continuar a correr de kart era muito parecido com o custo para correr de F-Chevrolet, mas na categoria existia o lado comercial, pois era um campeonato que tinha um certo retorno de mídia. Então eu não tive opção, pois eu só teria dinheiro se fosse para correr de F-Chevrolet, e não para continuar a correr de kart (o que era a minha vontade). Fiz uma boa temporada, aprendi muito, e consegui ser o novato do ano, chegando várias vezes no podium. Em 1998 optei por ir para a Inglaterra, pois, além de custar mais barato, eu achava que eu poderia aprender mais, além de estar mais próximo da realidade mundial do automobilismo. Foi fundamental o meu aprendizado, conheci muita coisa que hoje em dia aplico na minha vida profissional. Este campeonato (F. Palmer Audi) era uma proposta onde os pilotos tinham carros iguais e que se destacavam apenas por sua capacidade individual. Novamente tive destaque, entre os pilotos que nunca tinham corrido na Inglaterra. Infelizmente, em janeiro de 1999, tivemos a desvalorização do real, e tive que voltar ao Brasil e tentar uma carreira diferente, pois o dinheiro que eu tinha para correr valia 1/3, e não teria como participar no campeonato de 1999. Foi muito difícil, voltar e ter que decidir se eu abandonava a carreira ou se começava de novo. Decidi que eu definitivamente não abandonaria, e voltei a correr de kart. Corri por mais cinco anos, venci campeonatos, e cheguei até a dar aula para os pilotos que queriam começar a correr.

 

Em 2001 tive a primeira oportunidade de correr de Stock Car. Fiz cinco provas e aprendi muito. Mas a oportunidade real só aconteceu em 2004 quando fui chamado pelo Aloysio Andrade, da equipe Nascar, para substituir um piloto. Depois deste convite nunca mais sai da Stock Car. Conquistamos uma pole e dois pódios em sete corridas.

 

3) Qual a sua meta no automobilismo ? Daqui para frente aonde quer chegar ?

 

[Felipe Maluhy] Eu estou aonde eu gostaria de estar, se eu pudesse sonhar em ir para alguma categoria, seria a Nascar. Mas hoje posso dizer que estou muito feliz em poder ser um profissional de uma categoria onde tem vários ex-pilotos de F1, e também uma categoria que me dá condições de ganhar muito bem.

 

 

Foto: Luca Bassani

4) Quais as principais dificuldades e desafios que um piloto enfrenta em sua profissão ?

 

[Felipe Maluhy] Eu sempre digo que a grande dificuldade é a parte financeira, pois é um esporte de custo muito alto. Mais as coisas já estão mudando e hoje já posso dizer que pelo menos na Stock Car, existe outra dificuldade, que é a de conquistar os resultados, pois dinheiro a Stock tem, mas para que um piloto consiga ser valorizado, tem que ter resultado.

 

5)  Quais são os seus ídolos no automobilismo, quem serve de inspiração para você? Comente por que.

 

[Felipe Maluhy] Eu tenho alguns, mas hoje o meu maior ídolo é o Ingo Hoffmann. Digo isso por vários motivos: Por ele ser quem é, por ele, com 54 anos, estar em plena forma, vencendo corridas e com a disposição de um cara de 30. Acho que por eu querer ter a longevidade que ele tem no meio de competição, eu me espelho muito nele. Quero poder chegar aos 54 anos com a mesma persistência do Ingo. A Stock Car e todos os pilotos que hoje vivem desta categoria, devem muito a ele.

 

6) Se tivesse que escolher um grande momento dentro de sua trajetória profissional, qual seria ? E o pior momento ?

 

[Felipe Maluhy] Acho que o melhor foi em 2006 quando cheguei na última etapa do ano em segundo lugar no campeonato e na disputa pelo título. Fiz a pole naquela corrida, e se ganhasse a corrida seria campeão. O pior momento... Acho que foi em 1999, quando tive que voltar para o Brasil e recomeçar a minha vida.

 

7) Como você se vê daqui a 10 anos, ou seja, onde e como você quer estar na profissão, qual o seu projeto profissional?

 

[Felipe Maluhy] Eu quero estar cada vez melhor na técnica, em todos os aspectos. Eu busco sempre aprender com os meus erros e acertos. Eu procuro me concentrar no presente, sei que pensando assim sempre estarei crescendo. E assim que eu cheguei onde estou.

 

8) Hoje um piloto que queira construir uma carreira sólida dentro do automobilismo tem que necessariamente ter uma experiência internacional ou você acredita que não há esta necessidade, que é possível ser um excelente piloto e construir uma bela carreira estando apenas no cenário do automobilismo nacional ?  

 

[Felipe Maluhy] Tudo é possível. Temos ambos os casos, mas eu acho que ter uma experiência internacional ajuda muito no sentido de conviver com uma realidade muito diferente da nossa. Acho que onde mais aprendi a aprimorar a minha pilotagem foi quando corri fora. Considero isso muito importante. Hoje agradeço muito as dificuldades que a vida me impôs, pois nunca foi fácil para mim. Largar em primeiro e vencer a corrida, no meu ponto de vista, não te traz muito aprendizado. Realmente se aprende quando você não tem o melhor equipamento, e consegue ter um bom resultado, um resultado suado. Correndo fora do Brasil, você acaba sendo mais um piloto desconhecido, e que tem que se esforçar muito mais para ter esse reconhecimento.

 

9) Qual sonho ainda não realizado na sua carreira ?

 

[Felipe Maluhy] O meu sonho eu já realizei, que era ser um piloto profissional e viver do automobilismo. Agora quero vencer corridas e campeonatos. Quero também poder retribuir para o automobilismo tudo que o automobilismo me deu. Sonho em poder colaborar com o crescimento do esporte a motor no nosso país.

 

10) Se você não fosse piloto, que profissional gostaria de ser?

 

[Felipe Maluhy]  Quando você tem uma meta, um objetivo em que acredita plenamente, você não pensa em outra coisa. Tenho certeza que nasci para ser piloto e esta é a minha vida.  

 

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