Sunday, September 21, 2008 6:58 PM slagospeed

Entrevista com Marcel Wolfart – campeão de 2007 da Pick-up Racing

  

 

Entrevista a Inês De Divitiis  - Só agora, após 9 meses de espera, o piloto Marcel Wolfart pode comemorar o título de campeão de 2007 da Pick-up Racing, categoria em que corre pela equipe Motor Marketing/Maino Racing. Isso porque ele teve o título sob júdice em função de uma punição aplicada depois da prova do Rio de Janeiro. Além da frustração evidente com o ocorrido, esta espera também prejudicou a prospecção de novos patrocinadores para a temporada de 2008. Mas mesmo com todas as dificuldades, Wolfart nunca temeu perder o título, demonstrando sua personalidade firme e sua determinação. Agora finalmente ele pode colher os frutos pela vitória e pensar no futuro. Confira um pouco mais sobre a experiência do piloto catarinense que começou no kart e tem a meta de chegar à Stock Car, considerada a maior categoria do automobilismo brasileiro.

 

Marcel, você venceu o campeonato de 2007 da pick-up racing, mas em função de uma punição aplicada depois da prova do Rio de Janeiro, você teve o título sob júdice, só saindo o resultado agora, nove meses depois. Como foi para você ter que esperar 9 meses para finalmente poder comemorar um título merecido ? Em algum momento você temeu perder o título ?

A conquista de um título nacional seja na circunstância que for é sempre muito bom. Mas realmente essa espera foi um tanto quanto frustrante pra mim. Imaginava poder comemorar o título na última etapa de 2007, em Interlagos, e ganhar a pompa e o reconhecimento dignos de um campeão naquele momento, desfrutando de uma grande exposição de mídia, que também facilitariam na busca por patrocínios. Mas infelizmente somente os resultados conquistados na pista não foram suficientes para me garantir o título, acabaram existindo fatores “extra-corrida” que levaram essa decisão para o tribunal. Em momento algum temi perder esse título, sabia que eu era o campeão de 2007 de fato e de direito. E essa confiança se reflete no resultado do tribunal. Com a assessoria do meu advogado, Marcelo Aiquel, foram necessárias duas vitórias por unanimidade, na Comissão Disciplinar e no STJD, para que assim fosse anulada a punição que havia sofrido injustamente ao me tirarem a vitória conquistada na etapa do Rio de Janeiro.

Apesar de todos esses acontecimentos, fiquei muito contente com a confirmação do título da Pick-up Racing e com a impagável sensação de que finalmente a justiça fora feita. Quem acompanhou a última temporada sabe do que estou falando.

 

Como está o campeonato deste ano, como está a equipe e quais as suas chances de conquistar um bicampeonato ?

Estamos sofrendo um pouco na atual temporada. A reformulação da Pick-up Racing, acontecida em 2008, exigiu de pilotos e equipe que já vinham da categoria desde o ano passado uma readaptação total. Os novos carros, com chassis tubulares e motores V8 são novidades tanto pra mim quanto para minha equipe, a Motor Marketing/Maino Racing. Pensar em bicampeonato seria otimismo demais de minha parte, ainda mais com a situação atual do campeonato, que é dominado pelas equipes que vieram da Stock Light, e já estavam adaptados a esse regulamento. O ponto positivo é que a equipe tem mostrado uma evolução grande e está se mostrando uma forte postulante a brigar por vitórias ainda esse ano.

 

Conte um pouco de sua trajetória, como começou sua paixão pelo automobilismo e como você iniciou sua carreira ?

Iniciei minha carreira no kart em 1996. Meu pai comprou um kart usado para eu brincar nos finais de semana e acabei tomando gosto pela coisa. No ano seguinte já estava competindo oficialmente e de lá pra cá fui subindo degraus no automobilismo: corri na F-Ford Gaúcha, no Brasileiro de Endurance e na Pick-up Racing, aonde ingressei em 2004. Meu pai, Mauro Wolfart, sempre foi um grande incentivador na minha carreira automobilística e devo a ele todas minhas conquista até aqui.

 

Você hoje está na pick-up racing, mas para 2009, qual a sua expectativa? você pretende mudar de categoria ? como estão seus planos ?

Estamos trabalhando em um projeto para competir na Copa Vicar em 2009. É a categoria de acesso à Stock-Car, que é onde pretendo chegar. Dependo de patrocínio, mas são boas as possibilidades dessa mudança para a próxima temporada.

 

Quem são seus ídolos no automobilismo ? Comente porquê.Meu maior ídolo, sem dúvida alguma, foi Ayrton Senna. Era um exemplo de técnica, arrojo,  poder de concentração e, acima de tudo, determinação. Admiro também Nelson Piquet e Michael Schumacher. Outros dois pilotos fora do comum. 

 

Você pretende ter alguma experiência internacional ? Isso faz parte dos seus planos dentro da carreira ?

No momento não me imagino seguindo uma carreira internacional no automobilismo. Confesso que já pensei, quando mais novo, em correr fora do país em alguma categoria de monoposto, mas o orçamento que dispunha nunca me permitiu. Se surgir futuramente a oportunidade de correr no exterior e ter um salário, sem dúvida não pensaria duas vezes.

 

Qual seu sonho dentro da profissão de piloto, ou seja, onde você quer chegar como piloto, qual sua grande meta ?Como piloto, mantenho meus pés no chão. Não escondo que hoje meu objetivo é profissionalizar-me no automobilismo nacional e levar esse esporte como um meio de vida. Minha meta é chegar à Stock Car, competir em uma grande equipe e ser remunerado. Não poderia ter satisfação maior do que ganhar dinheiro exercendo a minha grande paixão que é a carreira automobilística.

 

Na sua opinião, quais as maiores dificuldades e desafios como piloto ?

Além dos desafios dentro das pistas, aonde muita vezes competimos com grandes pilotos, difíceis de serem superados, nos deparamos com situações adversas no acerto do equipamento, sofremos pressão por bons resultados e muitas vezes nos auto-cobramos por isso; mas  a principal dificuldade que o piloto enfrenta, na minha opinião, é a busca constante por patrocínios. Como o automobilismo é um esporte caro, sem os patrocinadores o piloto não consegue dar continuidade em suas pretensões dentro de sua carreira e muitas vezes grandes talentos são desperdiçados por esse motivo. Ainda falta por parte das empresas no Brasil a consciência do potencial do marketing esportivo, principalmente no que se refere ao automobilsmo.

 

Como é sua rotina de treinamento ? Que tipo de atividades físicas você faz e como isso influencia positivamente sua performance nas pistas ?

Realizo um trabalho de Personal Trainning, com um profissional da área de Educação Física. Faço aproximadamente 8 horas semanais de atividades aeróbicas e musculação. Todo esse trabalho direcionado para o que preciso em termos de condicionamento físico e resistência muscular para pilotar um carro de competição. Acredito que esse preparo é muito importante para se obter um bom desempenho nas pistas. Corrida muitas vezes se ganha no detalhe e em alguns casos o condicionamento físico do piloto pode fazer a diferença e leva-lo à vitória.

 

Você costuma acompanhar outras categorias do automobilismo nacional, como stock car V8, copa vicar, fórmula Truck ?  Caso sim, para quem vai sua torcida nestas categorias ?

Acompanho todas elas, mas principalmente a Stock-Car. Lá torço pelo Valdeno Brito, mesmo sem conhecê-lo pessoalmente, já que ele também faz parte da Motor Marketing Brasil, empresa de marketing esportivo que cuida da minha carreira de piloto. Na Copa Vicar, torço pelos meus conterrâneos catarinenses Afonso Bastos e Eduardo Berlanda. E na Fórmula Truck faço torcida por Djalma Fogaça e Beto Monteiro, que são amigos pessoais.

 

E internacional ? você acompanha a Nascar ou outra categoria internacional ?

Acompanho muito pouco a Nascar. Mas assisto algumas provas e acompanho notícias da F-Indy, GP2 e outras categorias internacionais onde pilotos brasileiros competem.

 

No último domingo de agosto, o piloto paraibano Valdeno Brito conseguiu arrematar o prêmio histórico de 1 milhão de dólares na etapa do Rio de Janeiro da Stock Car V8, no lugar dele, o que você faria com um prêmio deste ? Na sua opinião, em uma corrida desta, onde se tem em jogo uma premiação deste porte, o que vale mais, pensar no prêmio ou focar no campeonato e na boa colocação no ranking...o que vale mais, o prêmio de 1 milhão de dólares ou a vaga no playoff ?

Pergunta difícil hein!! Mas eu acredito que o prêmio é conseqüência, o que o piloto busca mesmo é um bom resultado na corrida, que o coloque em condições de brigar pelo campeonato. A vitória é o objetivo de qualquer piloto, independente da premiação. Claro que uma premiação de 1 milhão de dólares dá um estímulo ainda maior, mas eu, pessoalmente, na pista não pensaria no prêmio e sim no campeonato. Se o milhão vier, melhor ainda neh?

Com relação ao que faria com o prêmio, pensando em minha posição atual no automobilismo, respondo sem titubear: investiria na minha carreira.

 

Se você não fosse piloto, que profissional gostaria de ser ?

Além de piloto sou formado em Administração. Exerço já a profissão, pois toco um dos negócios da minha família. Se um dia tiver que optar por um ou outro, sem dúvida, escolho o automobilismo, mas gosto muito da minha profissão. Tenho pretensões não só de seguir em frente como também de expandir nossos negócios na área de comercialização de veículos, transporte e colheita florestal. 

 

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