Friday, October 10, 2008 1:29 PM slagospeed

Mario Romancini – World Series

Foto: Divulgação

Inês De Divitiis -  Aos 21 anos de idade, o piloto brasileiro Mario Romancini corre atualmente na World Series, pela equipe Epsilon Euskadi. Antes de se mudar para a Europa, Romancini passou pelo kart, Fórmula Renault e Fórmula 3 Sul-americana. Nesta entrevista concedida para a Motor Marketing Brasil, o piloto conta um pouco de sua trajetória no automobilismo e fala de seus planos e sonhos.

 

Como e quando começou a se interessar pelo automobilismo ?

Desde pequeno tinha em nossa casa de praia mini-carros motorizados, ‘buguinhos’. Acho que foi aí que eu comecei a me interessar por carros. Mais tarde comecei a freqüentar alguns karts indoor, e aí tive certeza do que realmente eu gostava.

 

Como iniciou no automobilismo, conte como tudo começou.

Nessa época, quando eu tinha uns 6 anos eu cheguei a fazer um treino de kart em Interlagos e quase comecei a correr. Mas minha mãe tinha medo. Achava muito perigoso, e também meu pai não tinha o dinheiro necessário para que eu começasse a correr. Só depois, quando eu estava com 13 anos, surgiu de novo a idéia de ir treinar de kart em Interlagos com o Maurão, pois o meu avô já o conhecia e a partir de então não parei mais. Fiz 4 anos de kart e depois comecei nos monopostos.

 

Comente sobre sua trajetória profissional, destacando títulos e vitórias.

Comecei em 2002 no campeonato paulista de kart e, na minha primeira corrida, fiz a pole. Mas saí logo na primeira curva (rs)... estava tão nervoso. Tinha zero de experiência e abandonei na primeira curva. Foi muito frustrante. Mas naquele dia vi que poderia ter bons resultados se levasse a sério. Nesse ano, fui vice no Campeonato Paulista Light. Em 2003 fiz a pole no Brasileiro de kart, em Florianópolis, e em 2004 fiz a pole e fui o 3º colocado no Pan-americano de kart. Fui o melhor brasileiro no mundial desse ano e vice-campeão da Federation Cup. Também fui campeão da Copa Sorriso Petrobras, o que me garantiu na seletiva Petrobras e fui eleito o melhor estreante. Em 2005 fui bicampeão da Copa Sorriso Petrobras. Venci, em 2006, a preliminar da Fórmula 1 de Fórmula Renault e fui o melhor estreante da categoria. E em 2007 fui vice-campeão da Fórmula 3 sul-americana, também como melhor estreante. Agora estou na World Series, pela equipe Epsilon Euskadi.

 

Qual a sua meta no automobilismo ? Daqui para frente onde quer chegar ?

Claro que como todo piloto meu maior sonho é chegar na Fórmula 1. Mas hoje vivendo aqui na Europa e vendo de perto como as coisas são, tento ser um pouco mais realista. Meu objetivo principal é ser um piloto profissional. Seja na Fórmula 1, IRL ou alguma categoria TOP do automobilismo.

 

Quais as principais dificuldades e desafios que um piloto enfrenta em sua profissão ?

A principal dificuldade, com certeza, é a falta de patrocínio. É um esporte muito caro. Que só se você chegar à categoria TOP você pode ganhar um bom salário. Até lá é necessário muito dinheiro e um apoio forte. Também acho que a Formula 1 de hoje esta muito baseada em contatos, e boas influências. Você pode ser o campeão de uma categoria X, mas se o 3º colocado tiver melhores contatos e mais dinheiro que você, é ele que vai pra frente, e não você. Então é bem complicado! Por isso hoje busco um lugar onde eu possa ter isso como profissão, acima de tudo.

Foto: Divulgação

Quais são os seus ídolos no automobilismo, quem serve de inspiração para você ? Comente por quê.

Ayrton Senna. Pois desde pequeno assistia às suas corridas e pelo que ele representou para o automobilismo. Me inspiro muito na sua garra e determinação que tinha para conseguir o que queria. Para mim foi o maior piloto de todos os tempos. E nunca mais teremos ninguém igual. 

 

Se tivesse que escolher um grande momento dentro de sua trajetória profissional, qual seria ? E o pior momento ?

Todas as minhas vitórias foram especiais. Mas acho que a mais especial foi quando venci minha primeira corrida em um monoposto, justamente na preliminar da Fórmula 1. Eu sonhava em disputar aquela corrida. Meu coração batia mais forte toda vez que via o autódromo lotado. Foi muito especial ter vencido em Interlagos no mesmo dia da F-1. O pior momento é difícil dizer. Todos os momentos que tenho que abandonar uma prova por uma falha mecânica ou um acidente é muito frustrante. Todo trabalho do fim de semana vai por água abaixo em um instante. Mas um momento muito ruim foi no Pan-Americano de 2004 no Uruguai. Eu bati o recorde da pista, era muito rápido mesmo. Estava liderando a última corrida debaixo de chuva, quando o piloto local, que estava em segundo, simplesmente não freou e me tirou da pista, acabando com minhas chances de lutar pelo titulo. Acho que poderia ter sido campeão. Consegui voltar para pista e terminei em 3º.

 

Como você avalia hoje o automobilismo no Brasil ? Quais são, na sua opinião, as categorias com mais estrutura ? Para um piloto que está iniciando no automobilismo, quais as categorias importantes para consolidar uma carreira profissional?

O automobilismo no Brasil está cada vez mais difícil nos monopostos. Pois a única categoria de fórmula reconhecida é a Fórmula 3 sul-americana que tem um custo altíssimo e não acho que é um carro ideal para os meninos que estão saindo do kart. Agora sem a Fórmula Renault não tem outra opção.

 

Como você se vê daqui a  10 anos, ou seja, onde e como você quer estar na profissão, qual o seu projeto profissional ?

Não sei aonde me vejo, vou aonde tiver oportunidades boas. Mas sim me vejo como um piloto profissional, fazendo o que eu mais amo e vivendo disso.

 

Hoje um piloto que queira construir uma carreira sólida dentro do automobilismo tem que necessariamente ter uma experiência internacional ou você acredita que não há esta necessidade, que é possível ser um excelente piloto e construir uma bela carreira estando apenas no cenário do automobilismo nacional ?

Dentro dos monopostos não. Isso é certamente impossível. Mas para os carros de turismo acho que sim. A Stock Car é muito forte. Vejam quantos ex-pilotos de Fórmula 1 estão correndo lá. Então para Turismo acho que é possível fazer uma carreira dentro do Brasil sim.

 

Qual sonho ainda não realizado na sua carreira ?

Tenho muitos sonhos, mas o próximo sonho que gostaria de realizar seria um teste de Formula 1.

 

Se você não fosse piloto, que profissional gostaria de ser ?

Nada. Não me vejo fazendo outra coisa.

 

 

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