Tuesday, October 21, 2008 6:11 PM
slagospeed
Norberto Gresse – Stock Car V8 e GT3

Foto: Fernanda Freixosa
Inês De Divitiis - O piloto paulista Norberto Gresse, ou Beto Gresse como é chamado, está em uma fase muito positiva de sua carreira no Brasil. Aos 25 anos de idade ele corre na maior categoria do automobilismo brasileiro, a Stock Car V8, tendo como companheiro de equipe, André Bragantini. Além disso, Gresse divide o comando de um Porsche com o piloto do milhão, Valdeno Brito, na GT3. No intervalo entre as corridas, Gresse concedeu uma entrevista à Moto Marketing Brasil.
Como e quando começou a se interessar pelo automobilismo ?
Sempre adorei carros, meu pai tem uma oficina mecânica, Auto Neg, e sempre ia com ele para lá, então cresci nesse meio. Acompanhava meu pai desde pequeno para assistir alguns amigos dele correr em Interlagos em diversas categorias, inclusive a Stock Car na época dos Opalas, mas até então nunca tinha experimentado. Meu pai chegou a participar na década de 70 de algumas provas como piloto, na divisão 3 de Fusquinha, mas nunca teve dinheiro para dar continuidade. No entanto sempre manteve sua amizade e bom relacionamento com todos , desde chefes de equipes, pilotos e mecânicos, o que facilitou e abriu portas para mim até os dias de hoje.
Como iniciou no automobilismo, conte como tudo começou.
Aos 10 anos de idade, através de um amigo do meu pai, o Walter Trawaglini, representante da marca Parilla de motor de Kart, e até hoje um grande incentivador da minha carreira. Foi ele quem me levou para fazer meu primeiro treino em um kart. E foi só experimentar que não larguei mais.
Comente sobre sua trajetória profissional, destacando títulos e vitórias.
Passei por todas as categorias do kart desde a Cadete até a Graduados “A”, por onde tive várias vitórias e alguns títulos, entre eles o de Campeão do Billand Challenge, formando dupla com o Renato Russo. Porém em 2002 tinha dado meu primeiro passo na carreira de monopostos, na Fórmula 4, extinta F-Chevrolet, onde tivemos apenas duas corridas, perdendo espaço para a forte F-Renault na época, que chegou com tudo. Mas infelizmente não tive patrocínio para me manter nos monopostos, e quando menos esperava lá estava eu novamente no Kart.
Fui retornar aos autódromos somente em 2005, quando participei das Mil Milhas em um Omega, terminando em quarto na categoria. A partir daí as coisas começaram a fluir melhor nos carros. Nesse mesmo ano fiz 6 etapas na Spyder Race no Campeonato Paulista, obtendo 3 vitórias. E então por uma desistência em umas das vagas da equipe do Jayme Silva, estreei em um Campeonato Brasileiro com maiores proporções que foi a Stock Car Light, participando das 3 últimas etapas.
Já em 2006, mais estabilizado e com uma verba melhor de patrocínio, fiz minha primeira temporada completa de Stock Light, na AMG Motorsport, terminando em quinto. E em 2007, pela mesma equipe, fui Campeão Brasileiro de Stock Car Light, atingindo meu maior objetivo que era subir para a maior categoria do automobilismo brasileiro que é a Stock Principal, onde me encontro hoje, defendendo a Bardahl e a Agecom, meus patrocinadores. Outra realização grande da minha carreira vem sendo poder participar de algumas etapas na GT3, ao lado do Valdeno Brito no volante de um Porsche 997, onde conquistamos dois segundo lugares, em Brasília e mais recentemente em Sta. Cruz do Sul.
Foto: Luca Bassani
Qual a sua meta no automobilismo ? Daqui para frente aonde quer chegar?
Minha meta atual é me consolidar profissionalmente na Stock Car, e paralelamente permanecer na GT3. E quem sabe futuramente vir a participar de algum campeonato de turismo fora do Brasil, seria muito bom.
Quais as principais dificuldades e desafios que um piloto enfrenta em sua profissão?
Sem dúvida a maior delas é a de conseguir patrocínio, e os desafios aparecem no dia a dia. Acredito que na Stock Car, por exemplo, se manter competitivo em todas as provas, com o alto nível de profissionais que temos hoje, é um grande desafio.
Quais são os seus ídolos no automobilismo, quem serve de inspiração para você ? Comente por quê.
Ayrton Senna e Michael Schumacher, ambos dispensam comentários.
Se tivesse que escolher um grande momento dentro de sua trajetória profissional, qual seria ? E o pior momento ?
O pior momento acredito que foi quando em 2002 após ter o gostinho de guiar um monoposto e partir para os desafios nos autódromos, depois de longos 8 anos no kart, a categoria perdeu o apoio da Chevrolet e se extinguiu. Na época o Daniel Serra era meu companheiro de equipe no Dragão, entre outros pilotos, como o Salustiano também que hoje está na Stock. No entanto alguns conseguiram mais verba para correr de Fórmula Renault e eu fiquei parado este resto de temporada toda, pois a diferença de valores era muito grande. E assim acabei retornando ao kart, sem perspectivas quanto ao meu futuro.
O melhor momento da minha carreira sem dúvida nenhuma foi meu título de campeão brasileiro de Stock Car Light, em 2007, fato que proporcionou minha ida para a principal, entre outras oportunidades.
Como você avalia hoje o automobilismo no Brasil ? Quais são, na sua opinião, as categorias com mais estrutura ? Para um piloto que está iniciando no automobilismo, quais as categorias importantes para consolidar uma carreira profissional?
Eu o avalio como um automobilismo que está numa crescente, porém que tem muito em que evoluir. Acredito que principalmente pela força que a Stock Car tem hoje, o interesse pelo automobilismo no país do futebol aumentou bastante, mas ainda está longe do seu auge, Um país do tamanho do Brasil não pode ter somente duas categorias “chefes” ( Stock Car e Fórmula Truck ) assim como um número tão reduzido de autódromos sem infra-estrutura como vemos hoje....
Para um piloto que está iniciando, o primeiro passo tem que ser o kart, ainda acho que é a melhor escola que existe para alguém que pretende ser profissional desse esporte um dia. Depois se optar pela carreira de Fórmula saiba que a missão é difícil, e por não termos categorias de base no Brasil, sua carreira tem que ser construída basicamente na Europa, o que tornam as dificuldades financeiras ainda maiores. Já para quem pretende ficar por aqui e chegar na Stock, uma categoria escola que tive a oportunidade de andar e adorei é a Spyder. Acho que como primeiro contato com as pistas, é um carro muito prazeroso de guiar, com reações rápidas, e que ensina bastante.
Como você se vê daqui a 10 anos, ou seja, onde e como você quer estar na profissão, qual o seu projeto profissional?
Quero estar fazendo aquilo que mais amo, que é viver profissionalmente do automobilismo, seja na Stock, ou em outra categoria, mas acelerando, isso é o que importa.
Foto: Fernanda Freixosa
Hoje um piloto que queira construir uma carreira sólida dentro do automobilismo tem que necessariamente ter uma experiência internacional ou você acredita que não há esta necessidade, que é possível ser um excelente piloto e construir uma bela carreira estando apenas no cenário do automobilismo nacional?
Acredito sim que a experiência internacional sem dúvida conta muito no currículo de qualquer piloto, não só pela experiência adquirida como facilitador para fechar patrocínios, etc...Mas não acho que seja uma regra, acredito como é o meu caso, que nunca andei lá fora, que é possível com muita determinação e profissionalismo se consolidar no automobilismo nacional e desfrutar de uma carreira vitoriosa.
Qual sonho ainda não realizado na sua carreira?
Meu sonho é participar de uma prova fora do Brasil, andar em pistas como Spa por exemplo.
Se você não fosse piloto, que profissional gostaria de ser?
Acho que acabaria levando em frente a oficina do meu pai, mas não consigo imaginar isso...
No último domingo, você e seu companheiro de equipe na GT3, Valdeno Brito, subiram ao pódio na etapa de Santa Cruz do Sul _ RS, conquistando a segunda colocação. Comente um pouco sobre a parceria com Valdeno e sobre o desempenho nesta última prova.
Para mim está sendo uma grande honra dividir o Porsche com o Valdeno. Ele é um piloto muito rápido e muito profissional, estou aprendendo bastante ao lado dele. Uma parceria que só vem a agregar na minha carreira.Essa última prova foi muito boa. Infelizmente na primeira etapa eu larguei em terceiro e acabei levando um toque da Lamborghini logo na primeira curva, ficando de fora da corrida. Mas na segunda etapa, Valdeno fez uma volta excepcional na classificação colocando uma vantagem de 6 décimos nos hegemônicos Ford GT, e garantindo a pole.Mas como era esperado, o motor do Ford GT falou mais alto na largada, e caímos para segunda posição Tanto o Valdeno quanto eu imprimimos um ritmo forte na perseguição do Xandy/Andreas, mas terminamos em segundo, o que foi muito satisfatório sabendo da superioridade do concorrente.