WS: Conte um pouco sobre a sua relação com o
automobilismo, como e quando começou esta paixão ?
MS: Meu pai andava
de kart indoor, com os amigos da empresa, e eu ia junto, mas como não tinha idade
para correr ficava só olhando, até que quando fiz 7 anos pude fazer a minha
primeira corrida. Quando fui correr, meu pai me falou: Se tu ganhar, eu vou te
comprar um kart! Não sei se me ajudaram, mas eu ganhei aquela corrida. Então,
no ano seguinte comecei a competir.
WS: Qual foi a sua trajetória no automobilismo, conte
como tudo começou e o que fez até chegar onde está hoje.
MS: Comecei no kart
fazendo campeonatos citadinos, depois gaúchos, sul brasileiros, brasileiro e por
fim o paulista em 2005. Em 2006, comecei na fórmula 1.6, uma categoria com o
mesmo chassis da fórmula São Paulo. Fui campeão em 2006 e 2007. Neste ano de
2008 estou competindo na GT3 com um Dodge Viper.
WS: Qual a sua meta no automobilismo ? Daqui para frente
aonde quer chegar ?
MS: A minha meta
desde pequeno é chegar à Formula 1. Gosto muito de Turismo, mas é em Fórmula
que me identifico
WS: Quais as principais dificuldades e desafios que um
piloto enfrenta em sua profissão ?
MS: Em todas as
categorias que disputei sempre tive grandes concorrentes, e acho que isso
sempre me ajudou a evoluir dentro das pistas, nem sempre conseguindo bons
resultados, mas sempre aprendendo.A principal dificuldade com certeza é o
patrocínio, pois sem ele você não consegue uma estrutura de equipe boa, não
consegue treinar frequentemente, e isto atrapalha na sua performance nos dias
de corrida
WS: Quais são os seus ídolos no automobilismo, quem
serve de inspiração para você? Comente por que.
MS: Ayrton Senna,
pois ele foi um exemplo de persistência e determinação, dedicação total à sua
profissão, sempre tentando alcançar a perfeição, e é nisto que me baseio.
WS: Se tivesse que escolher um grande momento dentro de
sua trajetória profissional, qual seria ? E o pior momento ?
MS: O melhor momento
está sendo agora, sem dúvida, onde estou competindo na GT3 contra todas estas
feras do automobilismo brasileiro, tantos pilotos de Stock Car quanto de outras
categorias de ponta, e conseguindo andar perto deles, tomando em conta que este
foi o primeiro carro de turismo que pilotei, e o primeiro com esta potência e
peso, pois a fórmula 1.6 tem cerca de 150hp e 500kg.O pior momento foi em uma
época no kart, onde fiquei quase 1 ano sem competir. Fiquei um ano fora porque
me decepcionei com os resultados, mas logo depois percebi que não conseguia
ficar muito longe das pistas, e continuei evoluindo.
WS:Como você avalia hoje o automobilismo no Brasil ?
Quais são, na sua opinião, as categorias com mais estrutura ? Para um piloto
que está iniciando no automobilismo, quais as categorias importantes para
consolida uma carreira profissional?
MS: Eu acredito que
o automobilismo brasileiro está melhorando bastante, muitas categorias estão com
o grid cheio, diferentemente de pouco tempo atrás, onde nem a principal
categoria de base para um piloto, que é o kart, possuía grid suficiente no
campeonato paulista, o mais competitivo do país. Depois do kart, é que começa
uma fase muito difícil para todo o piloto brasileiro, pois não há um destino
certo, principalmente se não há patrocínio. As categorias de monoposto são bem
importantes no aprendizado, mas infelizmente estas categorias não estão em uma
boa fase aqui no Brasil.
WS: Como você se vê daqui há uns 10 anos, ou seja, onde e
como você quer estar na profissão, qual o seu projeto profissional ?
MS: O meu objetivo é
a F1, e acredito que a GT3 está me abrindo várias portas para isto. Claro que
tem muitas outra categorias internacionais que eu gostaria de participar, como
Nascar, Indy, entre outras.
WS: Hoje um piloto que queira construir uma carreira
sólida dentro do automobilismo tem que necessariamente ter uma experiência
internacional ou você acredita que não há esta necessidade, que é possível ser
um excelente piloto e construir uma bela carreira estando apenas no cenário do
automobilismo nacional ?
MS: Hoje considero
necessário uma experiência internacional, pois no Brasil são poucas as
categorias em que os pilotos consigam exercer apenas a profissão de piloto, na
grande maioria o piloto tem outras fontes de renda, como empresas.
WS: Se você não fosse piloto, que profissional gostaria
de ser ?
MS: Gostaria de ser
Engenheiro Mecânico, trabalhando em corridas. Estou cursando Eng. Mecânica aqui
na Universidade de Caxias do Sul, e sempre tive interesse nessa parte de
desenvolvimento de carros, sempre procuro saber como cada peça funciona.